O poder absoluto como mortalha [Portal VozdoCLIENTE]

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O rei da Macedonia, Alexandre, o Grande sobre seu cavalo. www.altoastral.com.br



                                                                                                                                                 © Lecy Sousa

Conheço várias pessoas que odeiam História(por antecipação), tanto quanto outras odeiam Matemática, Filosofia, Português, Geografia, Geometria e... Dá o que pensar e, até, sustentar a tese de que nem todos nasceram para o letramento obrigatório e policonteudista (não adiante recorrer a buscadores na Net), mas para disciplinas seletivas.

No entanto, pelo viés da História, podemos fazer comparações interessantes sobre a insaciável fome de poder perpetuada por determinados grupos humanos. Nesse caso, a morte surge como parceira e principal desafeto. Suas máscaras são, sempre, as mais surpreendentes. Ora a fêmea (ou macho) fatal tendo a sensualidade como principal arma. Ora o amigo falsiane (tão bem incorporado ao mundo cibernético), sempre disposto a puxar o tapete com elegância cinematográfica ou valer-se de métodos medievais.

Vejam os"cases" radicais dos imperadores romanos. A morte sempre fez a sua parte, muitas vezes, com escândalos dignos de memes. A pergunta revestida de surpresa "Até tu, Brutus?!", feita pelo imperador Júlio César, ao ser apunhalado também por seu filho adotivo, imortalizou-se. Calígula, que sabia como poucos provocar estupefação e incutir medo em seus colaboradores"(Roma inteira), usou a tortura e a morte como quem toma um gelato e vibra ao ver um gladiador perder a sua cabeça decepada por uma espada cega no Coliseum, numa tarde de Verão. Sabe-se qual foi o fim de videogame épico experimentado pelo referido imperador. Fiquemos, apenas, com esses dois exemplos para evitar o horror.

Outra referência onde a morte caprichou, temos em Alexandre, o Grande. A maior motivação de sua existência, talvez fosse reinar como no planeta não se tivesse notícia. Reinar em proporções inimagináveis. A morte o abraçou vestida de febre, como atualmente alguém morre de dengue.

Ainda me pergunto : como a figura de Alexandre, o Grande, exerce fascínio tão...grande, mesmo em quem jamais o viu pessoalmente. Seriam os mesmos defeitos e qualidades? Usei o verbo exercer no presente porque conheço pessoas que ficam excitadas, no sentido menos sensual da situação, ao dizerem que gostariam de ter vivido naquelas priscas eras, para olharem nos olhos de um dos homens mais poderosos que "A Guerra dos Tronos" não conheceu. Aproveitando o embalo, na série de livros "Operação Cavalo de Troia", do jornalista surreal J.J.Benitez, os personagens voltaram no tempo para olharem nos olhos do próprio Jesus Cristo.

Parece não haver discurso acadêmico que corrija esse vício do poder pelo poder(sem qualquer tipo de apelo poético). Os historiadores, ou cronistas do seu tempo, não importa qual seja ele, não passam de meros constatadores exercitando a simbologia textual para a posteridade, como forma de justificar o próprio ofício.

É possível que, algum dia, um aplicativo substitua o poder pelo poder. Mas é bom seus criadores fugirem para o Egito. A História se repete. A sede de poder se atualiza.


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